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Alexandre Herculano   By: (1859-1936)

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JAYME DE MAGALHÃES LIMA

ALEXANDRE HERCULANO

F. FRANÇA AMADO,

EDITOR. COIMBRA.

ALEXANDRE HERCULANO

Composto o impresso na Typographia França Amado, rua Ferreira Borges, 115 Coimbra.

JAYME DE MAGALHÃES LIMA

Alexandre Herculano

COIMBRA F. FRANÇA AMADO, EDITOR 1910

I

Um paladino illuminado e moço, intemerato no ardor da juventude e na exaltação da crença que nem o martyrio lograria dominar ou perverter, sonhou a redempção da patria desolada pelas guerras, pela fome, pela oppressão de tyrannias ávidas e corruptas, por hypocrisias sordidas e degradações monstruosas. Sonhou dias de luz e de ventura, de liberdade e de paz, de boa vontade entre os homens, de trabalho honesto, de civismo austero e de religião sublimada, formosura e virtude, o resgate da miseria desalentada e tenebrosa em que se afundava um povo, outrora são e justamente altivo e agora debatendo se por se salvar e erguer dos abysmos em que a desventura o havia precipitado. E o paladino partiu a conquistar para a patria a fortuna revelada em visões de claridade; e armou se soldado, transpondo para exercitos do mundo aspirações divinas, a todos os perigos sujeitando a existencia ephemera, sem que algum fosse capaz de lhe turvar a fé.

II

Combateu. Foi vencido. Em vez de palmas de triumpho, recebeu as penas do exilio. Desterrado da «terra cara da patria», que saudou entre a dôr, verteu lagrimas de «saudade longiqua sobre as ondas do mar irriquieto», chorando o

«Berço do seu nascer, sólo querido, Onde cresceu e amou e foi ditoso, Onde a luz, onde o céu riem tão meigos, Seu pobre Portugal..................[1]

Proscripto e errante, entre as brumas do norte,

«.......................as auras puras, O murmurar do arroio, o canto da ave, O fremito do bosque, o grato aroma E o vistoso matiz do ameno prado, O lago quedo a reflectir a lua, As montanhas tão ricas de mysterios, De éccos, de sombras, de tristezas santas:»

isso tudo que eram encantos da sua terra, trazia lh'o ante os olhos, cruelmente, a memoria inexoravel[2].

«..................A dôr está no coração do profugo Como um cadaver hirto quando espera De noite, em leito nú, que á tumba o desçam. A dôr aqui é gelida, immutavel; Pousa em labios alheios que sorriem E até em sorrir nosso; está sentada Ao pé do umbral do tecto que nos cobre, Embebida na enxerga do repouso, Entranhada no pão que nos esmolam, Enroscada qual cobra peçonhenta No nodoso bordão do peregrino, E em toda a parte e em todo o tempo é nossa.»[3]

Embora

«Sob as azas do amor abrigue o Eterno Homens, nações e o mundo; o amor por elle Nasce, cresce, avigora se enredado Com os beijos da mãe, com sorrir amigo De nossos paes e irmãos, ensina o a tarde, O por do sol da nossa terra, o choupo Da nossa fonte, o mar que manso geme, Nosso amigo da infancia, em praia amiga.»[4]

Soffreu o supplicio da revolta impotente, algemada em prisões inexpugnaveis, e entenebreceu lhe o espirito a turbação negra da impiedade e da duvida, a derrota da fortaleza do proprio coração, mais cruel para o crente do que a ruptura de todos os laços d'affecto imposta pela violencia estranha. Para o proscripto, quando tudo o que amava se converteu em sombra, a cada passo evocada pela lembrança desperta em mágoas,

«Quando em confuso passado apenas surge Qual fumo tenuissinio ou phantasma Á meia noite visto, á luz da lua, Ao longe, entre arvoredo, quando o sopro Da tempestade assobiou nas trevas Pela antena da náu do vagabundo; Quando a dôr sua em olhos d'ente vivo Não achou uma lagrima piedosa, E nos seus proprios são vergonha as lagrimas, Quando, se 'inda as derrama, ellas gotejam Não sobre seio que as esconda e enxugue, Mas sobre a vaga que se arqueia, e passa Sem as sentir; então o soffrimento, Filho de longo padecer, converte O coração do desditoso em marmore, Onde nunca penetra um puro affecto, Onde o nome de Deus sossobra e morre Entre o bramir de maldições e pragas... Continue reading book >>




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