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Clepsydra Poêmas de Camillo Pessanha   By: (1867-1926)

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CLEPSYDRA

POÊMAS DE

CAMILLO PESSANHA

EDIÇÕES LUSITANIA

Clepsydra

Todos os direitos reservados

Composto e impresso: Tip. da T. da Espera, 26

CLEPSYDRA

POÊMAS DE

CAMILLO PESSANHA

EDIÇÕES LUSITANIA

LISBOA 1920

INSCRIPÇÃO

Eu vi a luz em um paiz perdido. A minha alma é languida e inerme. Oh! Quem podesse deslisar sem ruido! No chão sumir se, como faz um verme...

SONÊTOS

Tatuagens complicadas do meu peito: Trophéos, emblemas, dois leões aládos... Mais, entre corações engrinaldados, Um enorme, soberbo, amor perfeito...

E o meu brazão... Tem de oiro n'um quartel Vermelho, um lys; tem no outro uma donzella, Em campo azul, de prata o corpo, aquella Que é no meu braço como que um broquel.

Timbre: rompante, a megalomania... Divisa: um ai, que insiste noite e dia Lembrando ruinas, sepulturas rasas...

Entre castelos serpes batalhantes, E aguias de negro, desfraldando as azas, Que realça de oiro um colar de besantes!

ESTATUA

Cancei me de tentar o teu segrêdo: No teu olhar sem côr, frio escalpello, O meu olhar quebrei, a debate lo, Como a onda na crista d'um rochêdo.

Segrêdo d'essa alma e meu degrêdo E minha obcessão! Para bebe lo Fui teu labio oscular, n'um pesadêlo, Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu osculo ardente, allucinado, Esfriou sobre o marmore correcto D'esse entreaberto labio gelado...

D'esse labio de marmore, discreto, Severo como um tumulo fechado, Serêno como um pélago quieto.

PHONOGRAPHO

Vae declamando um comico defunto, Uma platêa ri, perdidamente, Do bom jarreta... E ha um odôr no ambiente A crypta e a pó, do anachronico assumpto.

Muda o registo, eis uma barcarola: Lirios, lirios, aguas do rio, a lua... Ante o Seu corpo o sonho meu fluctua Sobre um paúl, extática corolla.

Muda outra vez: gorgeios, estribilhos D'um clarim de oiro o cheiro de junquilhos, Vivido e agro! tocando a alvorada...

Cessou. E, amorosa, a alma das cornetas Quebrou se agora orvalhada e velada. Primavera. Manhã. Que effluvio de violetas!

Desce em folhedos tenros a collina: Em glaucos, frouxos tons adormecidos, Que saram, frescos, meus olhos ardidos, Nos quaes a chamma do furor declina...

Oh vem, de branco, do immo da folhagem! Os ramos, leve, a tua mão aparte. Oh vem! Meus olhos querem desposar te Reflectir te virgem a serena imagem.

De silva doida uma haste esquíva Quão delicada te osculou num dedo Com um aljôfar côr de rosa viva!...

Ligeira a saia... Doce brisa impelle a... Oh vem! De branco! Do immo do arvoredo... Alma de sylpho, carne de camelia...

Esvelta surge! Vem das aguas, nua, Timonando uma concha alvinitente! Os rins flexiveis e o seio fremente... Morre me a bocca por beijar a tua.

Sem vil pudôr! Do que ha que ter vergonha? Eis me formoso, môço e casto, forte. Tão branco o peito! para o expôr á Morte... Mas que ora a infame! não se te anteponha.

A hydra torpe!... Que a estrangulo... Esmago a De encontro á rocha onde a cabeça te ha de, Com os cabellos escorrendo agua,

Ir inclinar se, desmaiar de amor, Sob o fervor da minha virgindade E o meu pulso de jovem gladiador.

Depois da lucta e depois da conquista Fiquei só! Fôra um acto anthipatico! Deserta a Ilha, e no lençol aquatico Tudo verde, verde, a perder de vista.

Porque vos fostes, minhas caravellas, Carregadas de todo o meu thesoiro? Longas teias de luar de lhama de oiro, Legendas a diamantes das estrellas!

Quem vos desfez, formas inconsistentes, Por cujo amor escalei a muralha, Leão armado, uma espada nos dentes?

Felizes vós, ó mortos da batalha! Sonhaes, de costas, nos olhos abertos Reflectindo as estrellas, boquiabertos...

Quem polluiu, quem rasgou os meus lençoes de linho, Onde esperei morrer, meus tão castos lençoes? Do meu jardim exiguo os altos girasoes Quem foi que os arrancou e lançou no caminho?

Quem quebrou (que furor cruel e simiêsco!) A mesa de eu cear, tabua tôsca de pinho? E me espalhou a lenha? E me entornou o vinho? Da minha vinha o vinho acidulado e fresco... Continue reading book >>




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