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Luiz de Camões marinheiro   By: (1852-1929)

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First Page:

LUIZ DE CAMÕES

MARINHEIRO

ESTUDO

POR

ALMEIDA D'EÇA

DAVID CORAZZI EDITOR EMPREZA HORAS ROMANTICAS Rua da Atalaya, 40 a 52 1880

Quem deixará, até onde cheguem as suas forças, de concorrer para illustrar o nome do Poeta extraordinario que emprehendeu e levou a cabo o levantar o monumento da nossa gloria nacional?

Visconde de Juromenha. Obras de Camões. Vol. I, pag. 7.

O perscrutar os mais fundos recessos do espirito de um poeta como Camões, não é indigno da critica, nem um estudo vasio de interesse.

J. G. Monteiro. Carta ácerca da ilha dos amores , pag. 11.

A maior parte das observações, que vão ler se, foram feitas longe da patria, quando o poema de Camões era o unico amigo intimo com quem desabafavamos saudades e soffrimentos. Concluimos depois este humilde estudo em uma aldeia de Portugal, onde faltavam os bons livros e mestres, cuja consulta seria indispensavel para que elle fosse menos que imperfeito. Sirva isto de desculpa á rudeza d'estas linhas, que só pretendem ser homenagem de agradecimento áquelle que tão bem soube fallar ao coração do marinheiro.

Abril de 1880.

I

O nosso Epico, o immortal auctor dos Lusiadas , o escriptor que fez com que o estrangeiro não esquecesse de todo o nome portuguez, tudo isto se diz que foi Luiz de Camões. A fibra patriotica julga se quite da divida de gratidão ao grande Poeta com ter lhe erigido um monumento de gosto duvidoso, em sitio acanhado da capital, e com pronunciar o seu nome quando lhe dizem os desalentados que Portugal é uma terra morta. Mas, por se orgulharem tanto de ser filhos do mesmo torrão em que nasceu Camões, nem por isso esses, que tantas vezes lhe citam o nome, sentem tentação de tomar conhecimento, sequer passageiro, do que elles dizem ser um padrão das nossas glorias; e, não fallando nos que propriamente se dedicam aos estudos litterarios, porque a esses incumbe o dever de conhecerem as obras do nosso Poeta, raro se encontrará nas classes illustradas um portuguez que dos Lusiadas tenha lido mais que as poucas oitavas selectas , que se encontram nos compendios de instrucção.

Assim, ao passo que o inglez, o allemão ou o francez menos dado ás lides litterarias, mas que se preze de ter uma educação regular, conhece, possue, lê e cita amiudadas vezes Shakespeare, Milton e Byron, ou Schiller e Goethe, ou Molière e Lafontaine, nós, despresando as joias de metal sem liga pelos enfeites de ouropel, fallamos de Camões quasi como os cegos poderão fallar da luz. E o mal é tanto maior quanto uma audaciosa escola contemporanea tenta arrogar se o exclusivo de fallar verdade, de photographar a natureza, como dizem os seus corypheus, dando a entender que o que antes d'elles se escreveu era tudo falso, que ninguem tinha habilidade para copiar a natureza, e que só elles sabem chamar as cousas pelo seu nome!

Não nos permittem as nossas poucas forças entrar na liça contra essa escola, que hoje parece ter assambarcado o gosto e os louvores do publico; só quizeramos pedir respeitosamente aos thuriferarios do novo idolo, que consintam a algum retrogrado da arte o conservar no mais intimo do seu espirito a crença de que, em tempos que já lá vão, houve quem escrevesse com realidade, quem pintasse a natureza tal como ella é; consintam lhe que, lendo o pobre Camões, encontre n'elle descripções verdadeiramente reaes ou realistas , porque são apenas verdadeiras.

Para se ser poeta, verdadeiramente poeta, para se fallar poeticamente da natureza ou das artes, não basta ter a inspiração do rythmo, saber alinhar palavras ora altisonantes ora docemente musicaes; é necessario conhecer a natureza, conhecer as artes e as sciencias de que se quer fallar, é necessario sentil as, consubstanciar se com ellas. Para fallar de astronomia, ainda mesmo poeticamente, é necessario conhecer os astros; para fallar do mar é necessario ter percorrido os oceanos, ter presenciado as tempestades, ter soffrido com o marinheiro, porque

quem não sabe a arte, não na estima (Lus... Continue reading book >>




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