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Memorandum ácerca das expedições realizadas na Zambesia septentrional durante os annos de 1885 a 1891   By:

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MEMORANDUM

ÁCERCA DAS EXPEDIÇÕES REALISADAS

NA

ZAMBESIA SEPTENTRIONAL

DURANTE OS

ANNOS DE 1885 A 1891

POR

CARL WIESE

LISBOA IMPRENSA NACIONAL 1891

MEMORANDUM

ÁCERCA DAS EXPEDIÇÕES REALISADAS

NA

ZAMBESIA SEPTENTRIONAL

DURANTE OS

ANNOS DE 1885 A 1891

POR

CARL WIESE

LISBOA IMPRENSA NACIONAL 1891

MEMORANDUM

O negocio do marfim corria bastante mal, em Tete, durante o anno de 1885; as caravanas do sertão não affluiam, e as transacções estavam quasi paralysadas; por isso resolvi partir para o interior, a fim de adquirir aquella mercadoria tão perto quanto me fosse possivel do seu logar de producção.

Em principios de março organisei uma expedição composta de 300 indigenas, caçadores de elephantes, e parti em direcção de Cachombe, transpuz o Zambeze em Chabonga, e, depois de dezoito dias de marcha, cheguei á aldeia de Chirupe, na terra dos Sengas, a um dia de distancia de Aroangoa Grande, onde me estabeleci e fortifiquei no intuito de enviar d'ali os meus caçadores em procura do marfim, ficando ao abrigo de quaesquer ataques dos indigenas.

Andava eu pouco satisfeito com os resultados da caça, quando os meus caçadores encontraram no mato uma expedição guerreira do grande regulo Mpesene, o que me offereceu favoravel ensejo para eu enviar a este potentado um pequeno presente, pedindo lhe licença para caçar nos seus territorios, onde n'esse tempo ainda havia uma grande quantidade de elephantes.

Dois mezes depois via satisfeito o meu desejo, pois recebia a visita de uma grande embaixada do Mpesene, tendo á sua frente o ministro da guerra Cassamba Moropa, e um dos filhos do potentado por nome Madzi Mauvi, que vinham convidar me para me ir estabelecer definitivamente nos seus estados.

Deixei o estabelecimento de Chirupe a cargo de um dos meus capitães, e segui para as terras do Mpesene, apenas acompanhado por alguns caçadores.

Fui admiravelmente recebido, contribuindo poderosamente para isso uma circumstancia fortuita que me conquistou inesperadamente a estima do soberano e do seu povo. Á minha chegada, em meiados de dezembro, reinava entre os landins de Mpesene grande desgosto e excitação por causa da falta das chuvas; em balde eram sacrificadas, nas aras das divindades indigenas, numerosas cabeças de gado; a secca prolongava se extraordinariamente, e com ella cresciam as ameaças de fome. Por milagrosa fortuna da expedição a minha entrada na principal povoação do Mpesene, Matengulene, coincidiu com um copiosissimo aguaceiro; e os indigenas, crentes de que eu lhes trouxera a desejada chuva, receberam me com as mais enthusiasticas demonstrações de alegria.

Facil foi por isso obter licença para constituir ali um estabelecimento permanente. Alcançada a permissão, parti para ir buscar a parte da minha expedição, que eu deixára junto ao Aroangoa, offerecendo me o chefe, já por essa occasião, um valioso presente de marfim.

Volvi a Matengulene em principios de 1886, e ali me demorei mais de dois annos, dirigindo as excursões dos meus caçadores e recolhendo o marfim, que trouxe para Tete quando regressei, em principios de julho de 1888.

Em novembro do mesmo anno, achando se o governador geral da provincia, conselheiro Augusto de Castilho, em visita á villa de Tete, tive ensejo de contar a s. exa. o modo por que fôra recebido nas terras do Mpesene, e o respeito com que elle e os seus acatavam os brancos, considerando os representantes do Geral , titulo com que designavam o governador de Tete, a maior auctoridade que elles conheciam, ainda assim, por antiga tradição.

Encareci a s. exa. quanto seria vantajoso para o governo portuguez estreitar relações com aquelle poderosissimo chefe, e avançar consideravelmente para o norte, onde os portuguezes são ainda o unico povo europeu conhecido, e cuja influencia não póde ser contestada.

No 1.º de dezembro de 1888 dirigia me o sr... Continue reading book >>




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