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A Morgadinha dos Cannaviaes   By: (1839-1871)

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Nota de editor: Devido à existência de erros tipográficos neste texto, foram tomadas várias decisões quanto à versão final. Em caso de dúvida, a grafia foi mantida de acordo com o original. No final deste livro encontrará a lista de erros corrigidos.

Rita Farinha (Jun. 2009)

BIBLIOTHECA ESCOLHIDA

XXIII

ROMANCE

III

A MORGADINHA DOS CANNAVIAES

Vol. I

CENTRO TIPOGRAFICO COLONIAL LARGO BORDALO PINHEIRO, 27 E 28 TELEPHONE 2337

JULIO DINIZ

A MORGADINHA DOS CANNAVIAES

(CHRONICA DA ALDEIA)

DECIMA SETIMA EDIÇÃO

LISBOA J. RODRIGUES & C.^a, EDITORES 186 Rua Aurea 188 1920

OBRAS DE JULIO DINIZ

A Morgadinha dos Cannaviaes Os Fidalgos da Casa Mourisca As Pupillas do Senhor Reitor Uma Familia Ingleza Ineditos e Esparsos Poesias Serões da Provincia Agenda Julio Diniz (registo de anniversarios e lembranças)

Todos os direitos d'esta publicação estão reservados em conformidade com a lei em Portugal e Brasil

J. Rodrigues & C.^a

A MORGADINHA DOS CANNAVIAES

I

Ao cair de uma tarde de dezembro, de sincero e genuino dezembro, chuvoso, frio, açoutado do sul e sem contrafeitos sorrisos de primavera, subiam dois viandantes a encosta de um monte por a estreita e sinuosa vereda, que pretenciosamente gosava das honras de estrada, á falta de competidora, em que melhor coubessem.

Era nos extremos do Minho e onde esta risonha e feracissima provincia começa já a resentir se, senão ainda nos valles e planuras, nos visos dos outeiros pelo menos, da vizinhança de sua irmã, a alpestre e severa Traz os Montes.

O sitio, n'aquelle ponto, tinha o aspecto solitario, melancolico, e, n'essa tarde, quasi sinistro. D'alli a qualquer povoação importante, e com nome em carta corographica, estendiam se milhas de pouco transitaveis caminhos. Vestigios de existencia humana raro se encontravam. Só de longe em longe, a choça do pegureiro ou a cabana do rachador, mas estas tão ermas e desamparadas, que mais entristeciam do que a absoluta solidão.

Não se moviam em perfeita igualdade de condições os dois viandantes, que dissemos.

Um, o mais moço e pela apparencia o de mais grada posição social, era transportado n'um pouco esculptural, mas possante muar, de inquietas orelhas, musculos de marmore e articulações fieis; o outro seguia a pé, ao lado d'elle, competindo, nas grandes passadas que devoravam o caminho, com a quadrupedante alimaria, cujos brios, além d'isso, excitava por estimulos menos brandos do que os da simples e nobre emulação.

Contra o que seria plausivel esperar d'este desigual processo de transporte, dos dois o menos extenuado e impaciente com as longuras e fadigas da jornada não se pode dizer que fôsse o cavalleiro.

A postura de abatimento que lhe tomára o corpo, o olhar melancolico, fito nas orelhas do macho, a indifferença, a taciturnidade ou o manifesto mau humor, que nem as bellezas e accidentes da paizagem natural conseguiam já desvanecer, o obstinado silencio que apenas de quando em quando interrompia com uma phrase curta mas energica, com uma pergunta impaciente sobre o termo da jornada, contrastavam com a viveza de gestos e desempenado jôgo de membros do pedestre, com a sua torrencial verbosidade, a que não oppunha diques, e com as joviaes cantigas e minuciosas informações a respeito de tudo, por meio das quaes se encarregava de entreter e ao mesmo tempo instruir o seu sorumbatico companheiro.

Explica se bem esta differença, dizendo que o cavalleiro era um elegante rapaz de Lisboa, que fazia então a sua primeira jornada, e o outro um almocreve de profissão.

O leitor provavelmente ha de ter jornadeado alguma vez; sabe portanto que o grato e quasi voluptuoso alvoroço, com que se concebe e planisa qualquer projecto de viagem, assim como a suave recordação que d'ella guardamos depois, são coisas de incomparavelmente muito maiores delicias, do que as impressões experimentadas no proprio momento de nos vermos errantes em plena estrada ou pernoitando nas estalagens, e mórmente nas classicas estalagens das nossas provincias... Continue reading book >>




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