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O Carrasco de Victor Hugo José Alves   By: (1825-1890)

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O CARRASCO

DE

Victor Hugo José Alves

O CARRASCO

DE

Victor Hugo José Alves

POR

CAMILLO CASTELLO BRANCO

Os cantaré un estraño cuento que no le avreis oydo tal en toda vuestra vida.

M. CERVANTES Novellas .

PORTO LIVRARIA CHARDRON DE Lello & Irmão, editores 1902.

Porto Imprensa Moderna.

I

A LUVEIRA DA RUA NOVA DA PALMA

Il y a ici quelque chose... une fleur... cherchez!

SAINT BEUVE, Portraits des Femmes.

Á volta de uma mesa do café Martinho , em Lisboa, estavam, por 1857, cinco ou seis sujeitos saturados de politica. Estava tambem eu em principio de saturação palavra pedida de emprestimo á chimica para bem materialisar a idéa do corpo abeberado d'aquelle civico enthusiasmo que salva as nações... nos botequins.

N'aquella noite, os meus interlocutores eram todos mais ou menos republicanos. Havia tal que dizia acreditar na metempsycose, porque sentia dentro do seu ventre os figados de Robespierre; e outro, que arredondava musicamente os periodos corrosivos, revelava nos, com modestia parelha do talento, que sentia coriscar lhe no craneo o cérebro de Mirabeau; coriscos, se o eram, todos para dentro; que do fogo, que lhe faiscava da fronte, não havia que receiar combustão em armazem de sulphureto de carbonio.

Os outros não me lembra quem tinham dentro de suas pessoas.

Pelo que me diz respeito, recenseando longa fileira de defuntos historicos, suspeitei ser eu a paragem de dois pedaços transmigrados, um de Falstaff, outro de Sancho, por me sentir rasamente lerdo á beira d'aquellas pessoas trabalhadas por crudelissimas almas de torna viagem.

Suppunha Gerard de Nerval, que Méry, pela admiravel intuição que tinha das coisas da India, devia ser a metempsycose d'um mouni do Indostão na pelle d'um marselhez; ora eu, se é licita a comparação ambiciosa, á vista da sisuda pachorra com que assistia aos projectos regicidas d'aquelles cavalleiros andêjos, devo presumir que ha em mim o que quer que seja do pagem do cavalleiro triste, antes de intontecido pelas lisonjas dos ilheos que o degeneraram.

Havia ali um que esmurraçava o marmore das mesas, protestando que os thronos seriam aluidos, quando a lava, escandecente no seio da Liberdade, irrompesse, resfolegando para si os monarchas, e revessando para fóra, com o novo baptismo de fogo, uns evangelhos novos.

O meu terror foi grande. Encarei n'aquelles homens exterminadores, e agourei lhes mentalmente que morreriam justiçados para descanço do genero humano, e particularmente dos possuidores de inscripçoens e outros fundos.

Agora é de saber que todos aquelles regicidas, hoje em dia, vampirisam as veias desangradas do paiz, pisam alcatifas do paço, e fumam, nos aposentos dos camaristas, charutos da munificencia real, pelos quaes se lhes vaporaram os figados de Robespierre, o encephalo de Mirabeau, e toda a mais peçonha que lhes petrolisava as entranhas, tirante a do estomago, que ainda é corrosiva, como sempre.

Revertendo aos assumptos debatidos n'aquella roda de trogloditas, cujas caras a lavareda do ponche azulejava terrificamente, dizia um que os monarchas lusitanos, em seculos de bons costumes e fé viva, procreavam filhos illegitimos.

Esta noticia fez me calafrios.

Em confirmação da these, individuou o sujeito, com prodigiosa retentiva, os filhos bastardos de cada soberano, e não sómente os abonados pelos chronistas, senão outros muitos denunciados pela tradição, e sonegados pelos historiadores em preito a insignes familias... Continue reading book >>




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