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Os fidalgos da Casa Mourisca Chronica da aldeia   By: (1839-1871)

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OS FIDALGOS DA CASA MOURISCA

OS FIDALGOS

DA

CASA MOURISCA

CHRONICA DA ALDEIA

POR

JULIO DINIZ

VOLUME I

PORTO

TYPOGRAPHIA DO JORNAL DO PORTO Rua Ferreira Borges, 31

1871

OS FIDALGOS DA CASA MOURISCA

I

A tradição popular em Portugal, nos assumptos de historia patria, não se remonta além do periodo da dominação arabe nas Hespanhas.

Pouco ou nada sabe o povo de celtiberos, de romanos e de wisigodos. É, porém, entre elle noção corrente que, em outros tempos, fôra este paiz habitado por mouros, e que só á força de cutiladas e de botes de lança os expulsaram os christãos para as terras da Mourama. Os vultos heroicos de reis e cavalleiros nossos, que se assignalaram nas luctas d'essa época, ainda não desappareceram das chronicas oraes, onde vivem illuminados por a mesma poetica luz das xacaras e dos romances nacionaes; e hoje ainda, nas dansas e jogos que se celebram nos logares publicos das villas e aldeias, por occasião das principaes solemnidades do anno, apraz se a memoria do povo de recordar os feitos d'aquelles tempos historicos por meio de simulados combates de mouros e christãos.

Nos contos narrados em volta da lareira, onde nas longas noites de serão se reune a familia rustica, ou ás rapidas horas d'uma noite de estio, na soleira da porta, ao auditorio attento que segue com os olhos a lua em silenciosa carreira por um céo sem estrellas, avulta uma creação extremamente sympathica, a das mouras encantadas, princezas formosissimas que ficaram d'esses remotos tempos na peninsula, em paços invisiveis, á espera de quem lhes venha quebrar o captiveiro, soltando a palavra magica.

Falla se em diversos pontos das nossas provincias, com a seriedade que é propria a uma arreigada crença, de thesouros enterrados, que os mouros por ahi deixaram, na esperança de voltarem um dia a resgatal os, e já não tem sido poucas as escavações emprehendidas no ávido intuito de os descobrir.

Esta mesma noção historica do povo é a que dá logar a um outro frequente facto. Quando, no centro de qualquer aldeia, se eleva um palacio, um solar de familia, distincto dos edificios communs por uma qualquer particularidade architectonica mais saliente, ouvireis no sitio designal o por o nome de Casa Mourisca, e, se não se guarda ahi memoria da sua fundação, a chronica lhe assignará infallivelmente como data a lendaria e mysteriosa época dos mouros.

Era o que succedia com o solar dos senhores Negrões de Villar de Corvos, que, em tres leguas em redondo, eram por isso conhecidos pelo nome dos Fidalgos da Casa Mourisca.

Não se persuada o leitor de que possuia aquelle solar feição pronunciadamente arabe, que justificasse a denominação popular, ou que mãos agarenas houvessem de feito cimentado os alicerces da casa nobre denominada assim. Ás pequenas torres quadradas, que se erguiam, coroadas de ameias, nos quatro angulos do edificio, ao desenho ogival das portas e janellas, ás estreitas setteiras abertas nos muros, e finalmente a certo ar de castello feudal, que um dos antepassados d'esta fidalga familia tentou dar aos paços de sua residencia senhoril, devêra ella a qualificação de mourisca, que persistira, apesar dos protestos da arte. Nenhum estylo architectonico fôra na construcção escrupulosamente respeitado; o gosto e capricho do proprietario presidiram mais que tudo á traça e execução da obra; não ha pois exigencias artisticas que me imponham a obrigação de descrevel a miudamente.

Diga se porém a verdade; fossem quaes fossem os defeitos de architectura, as incongruencias e absurdos d'aquella fabrica grandiosa, quem, ao dobrar a ultima curva da estrada irregular por onde se vinha á aldeia, via surgir de repente do seio de um arvoredo secular aquelle vulto escuro e sombrio, contrastando com os brancos e risonhos casaes disseminados por entre a verdura das collinas proximas, mal podia reter uma exclamação de surpreza e involuntariamente parava a contemplal o... Continue reading book >>




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