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Pero da Covilhan Episodio Romantico do Seculo XV   By:

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Notas de transcrição:

O texto aqui transcrito, é uma cópia integral do livro impresso em 1897.

Mantivemos a grafia usada na edição impressa, tendo sido corrigidos alguns pequenos erros tipográficos evidentes, que não alteram a leitura do texto, e que por isso não considerámos necessário assinalá los.

Pero da Covilhan

QUARTO CENTENARIO DO DESCOBRIMENTO DO CAMINHO MARITIMO DA INDIA

PERO DA COVILHAN

(EPISODIO ROMANTICO DO SECULO XV)

POR

ZEPHYRINO BRANDÃO

DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA DA REAL ACADEMIA HESPANHOLA DE MADRID, DO INSTITUTO DE COIMBRA E DA S. G. L.

ANTIGA CASA BERTRAND JOSÉ BASTOS LIVREIRO EDITOR LISBOA 73, Rua Garrett, 75

1897

Typographia da Academia Real das Sciencias de Lisboa

CONVERSA PREAMBULAR

Eu não sei bem o que venho aqui fazer.

Não venho, de certo, apresentar Zeferino Brandão, pois eu proprio lhe fui apresentado, noviço em lettras, quando elle já era, na egreja litteraria, officiante de pontifical, bemquisto e bem acolhido dos sacerdotes maximos, com alguns dos quaes privava, de irmão a irmão.

Com effeito, e sem que saiba dizer de positivo ha quantos annos, não devendo comtudo andar muito longe dos trinta, foi na primeira casa que João de Deus habitou em Lisboa, na rua dos Douradores, e no proprio quarto do poeta, que Zeferino Brandão e eu nos avistámos a vez primeira. Era elle alferes ou segundo tenente d'artilheria, eu, cadete de lanceiros.

Vêrmo' nos, e ficarmos sendo, logo ali, amigos velhos, foi obra de um momento. Eu tinha na minha bagagem uns versitos, que apresentava a medo, e que um dia Manoel de Arriaga leu em voz alta, depois do café, na mesa dos hospedes, com a mesma emphase com que leria versos de Victor Hugo, conquistando me uma ovação no meio d'aquelle auditorio ingenuo, e deixando me a mim proprio deslumbrado de taes versos serem meus. Coitados! Por onde andarão elles!

Zeferino Brandão, já a esse tempo tinha poetado muito e, no meu entender de então, hombreava com todos os da sua vida de Coimbra, amigos de tu, que, sempre que se encontravam, tinham tão bons abraços a trocar, tão bellas coisas a relembrar e a dizer. Eram o João de Deus, que estava ali; o Arriaga, que vinha todos os dias; o Anthero, que apparecia de quando em quando; o Simões Dias, o Candido de Figueiredo, o Guimarães Fonseca, o João Penha, a todo o momento falados, porém ausentes.

Por signal, que a esse mesmo tempo Zeferino Brandão se lembrou de fazer annos, e nada menos que vinte e seis. A lembrança foi tida como disparate de marca maior, e como antecedente de pessimos effeitos. E tanto que João de Deus lhe disparou, logo ali, á queima roupa:

Com que então, cahiu na asneira De fazer na quinta feira, Vinte e seis annos! Que tolo! Ainda se os desfizesse... Mas fazel os, não parece De quem tem muito miolo!

Averiguou se, porém, que Zeferino era reincidente no delicto, pois no anno anterior fizera o mesmo, e mostrava se disposto a repetir no immediato. E por isso João de Deus accrescentava:

Não sei quem foi que me disse, Que fez a mesma tolice Aqui o anno passado... Agora o que vem, apósto, Como lhe tomou o gosto, Que faz o mesmo? Coitado!

Não faça tal; porque os annos Que nos trazem? Desenganos Que fazem a gente velho. Faça outra coisa; que em summa Não fazer coisa nenhuma, Tambem lhe não aconselho.

Zeferino Brandão tinha boa vontade de seguir á risca a advertencia do poeta; não poude no emtanto satisfazer lhe o desejo... Continue reading book >>




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