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Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina Egloga   By: (1765-1805)

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First Page:

QUEIXUMES

DO

PASTOR ELMANO

CONTRA A FALSIDADE

DA

PASTORA URSELINA .

EGLOGA.

LISBOA: Na Officina de SIMÃO THADDEO FERREIRA.

ANNO 1791.

Com Licença da Real Meza da Comissão Geral sobre o Exame, e Censura dos Livros.

Metido tenho a mão na Consciencia, E não fallo senão verdades puras, Que me ensinou a viva experiencia.

CAMÕES.

QUEIXUMES

DO

PASTOR ELMANO

CONTRA A FALSIDADE

DA

PASTORA URSELINA .

EGLOGA.

Seu manto desdobrava a Noite escura, E a Rã no charco, o Lobo na espessura Vociferando, os ares atroavão; Do trabalho diurno já cessavão Os rudes, vigorosos Camponezes: O Vaqueiro, cantando atraz das Rezes, Após as Cabras o Pastor cantando, Hião para as Malhadas caminhando, Tudo jazia em paz, menos o triste, O desgraçado Elmano, a quem feriste, Oh pernicioso Amor, cruel Deidade, Flagélo da infeliz Humanidade: Tudo, emfim, descançava, excepto Elmano, Que a mão do Fado, universal Tyranno, Sentia sobre si descarregada; Que, longe da Paterna Choça amada, Dependente vivia em Lar estranho, Sendo os desgostos seus o seu rebanho. Honrados Maioraes o Ser lhe derão Lá junto ao Sado ameno, e lhe fizerão Das Artes cortezãs prezar o estudo: As Musas o encantárão mais que tudo, Ateando lhe n'alma o Fogo santo, Que estúpidos Mortaes desdenhão tanto. Inflammado com elle, ao som da Lira Quebrava dos Tufões a força, a ira, E o venerando Téjo socegado, A cuja fresca praia o trouxe o Fado, Mil vezes, para ouvir lhe as ternas mágoas, A limosa cabeça ergueo das Agoas. Cégo, convulso, pállido, e sem tino Entrava na Cabana de Francino O desditoso Elmano. Entre os Pastores Geral estimação, geraes louvores Francino com justiça disfrutava: Alto saber, o Espirito lhe ornava, Na vasta Capital fôra creado, E por expertos Mestres cultivado. Doce nó de Amizade os dois unia, Concorrendo a Razão, e a Sympathia Para tão bella, e placida Alliança. Notando, pois, a fúnebre mudança, Que no aspecto do Amigo apparecia, Assim Francino a causa lhe inquiria:

FRANCINO.

Que tens, Elmano? Que fatal desgosto Banha de tristes lagrimas teu rosto? Tu, que, ainda ha brevissimos instantes, Te acclamavas feliz entre os Amantes, Logrando mil carinhos, mil favores De Urselina gentil, dos teus Amores, Vens tão choroso, tão afflicto agora! Ah! Conta me a paixão, que te devora, Das ancias tuas o motivo explica: Communicado o mal, mais brando fica.

ELMANO.

Ai de mim! Venho louco, estou perdido. Oh peito ingrato! Coração fingido! Oh deshumana, oh barbara Pastora! Fementida Mulher enganadora! E tiveste valor para a mais fêa Traição, que póde conceber a idéa? He possivel! He certo! Oh Ceos! Soccorro. Eu pasmo, eu desespero, eu ardo, eu morro.

FRANCINO.

Amigo, torna em ti, recobra alento, Declara me o teu íntimo tormento. Do cégo frenesi, que te domina, Quem he causa, Pastor? He Urselina?

ELMANO.

Quem, senão ella (oh Ceos!) me obrigaria A tão pasmoso extremo? A Sorte impía Com todo o seu poder nunca tem feito Desmaiar a constancia de meu peito: Quem me abate he Amor, não o Destino. Eu te conto o meu mal, eu vou, Francino, Retratar te a mais negra, a mais horrivel De todas as traições. Não he possivel Nos Ermos encontrar da Lybia ardente Monstro, seja Leão, seja Serpente, Que possa comparar te á Féra humana, Que com tanto rigor me desengana. Quantas vezes notaste, honrado Amigo, Finezas, que a traidora obrou comigo! Quantas vezes daqui presenciaste Seus gestos, seus affagos, e julgaste, Que o mais ardente amor, a fé mais pura Pagavão minha candida ternura! Ouve, e conhecerás (ai de mim triste!) Que foi sonho, illusão tudo o que viste. Já sabes, que no dia em que ligado A Marcia Jonio foi pelo sagrado, Indissoluvel nó, cantei louvores A tão ditosos, tão fiéis amores, E o número augmentei dos Convidados; Já sabes as meiguices, e os agrados, Com que a minha infiel me fez ditoso: Alli, traçando hum baile harmonioso, Por parceiro me quiz; alli sentada Junto a mim, vezes mil a refalsada Protestou, que em sua alma eu só vivia, Que eu era de seus olhos a alegria, Dando me a bella mão furtivamente, Que, ardendo de paixão, beijei contente... Continue reading book >>




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