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Ramo de Flores acompanhado de varias criticas das Flores do Campo   By: (1830-1896)

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First Page:

RAMO DE FLORES

RAMO DE FLORES

POR

JOÃO DE DEUS

ACOMPANHADO DE VARIAS

CRITICAS DAS FLORES DO CAMPO

PORTO

Typ. da Livraria Nacional

2 Rua do Laranjal 22

1869.

RAMO DE FLORES

I

SÊDE DE AMOR

I

Vi te uma vez e (novo Extranho caso foi!) Por entre tanto povo... Tanta mulher... Suppõe

Que mãe estremecida Via o seu filho andar Sobre muralha erguida, Onde o fizesse ir dar

Aquelle remoinho, Aquella inquietação D'um pobre innocentinho Ainda sem razão!

E ora estendendo os braços... Ora apertando as mãos... Vendo lhe o gesto, os passos, Quantos esforços vãos,

O triste na cimalha Faz por voltar atraz... Sem vêr como lhe valha! A vêr o que elle faz!

Pallida, exhausta, muda, Os olhos uns tições, Com que, a tremer, lhe estuda As mesmas pulsações...

(Porque não é mais fundo O mar no equador, Nem é todo este mundo Maior do que esse amor!

Mais vasto, largo e extenso Todo esse céo tambem Do que o amor immenso D'um coração de mãe!)

Assim, n'essa agonia... N'essa intima avidez... É que entre os mais te eu ia Seguindo d'essa vez!

Porque te adoro!... a ponto, Que ainda hoje, crê! Escuto e oiço e conto Os grãos de arêa até,

Que tu, mulher! andando Fazias estalar Já mesmo longe e... quando Deixei de te avistar!

II

Os olhos são D'uma expressão! Que linda bôca! O pé nem toca, De leve, o chão!

Aquelle pé De leve até Nem se elle sente! E sente a gente Não sei o que é...

E a graça, o ar, D'aquelle a andar! Que véla passa Com tanta graça Á flôr do mar!

Os olhos vêr Um só volver De olhar tão dôce, Que mais não fosse... Era morrer!

Os dentes sãos E tão irmãos E tão luzentes! Que bellos dentes! Que lindas mãos!

III

Estrella, nuvem, ave, Perfume, aragem, flôr! Consola me! distilla, Da languida pupilla, O balsamo suave De um desditoso amor! Estrella, nuvem, ave, Perfume, aragem, flôr!

A flôr, de que és imagem, A flôr, de que és irmã, Sacia se, e desata O seu collar de prata Aos beijos da aragem, Aos risos da manhã!... A flôr, de que és imagem, A flôr, de que és irmã!

A perola que encerra A flôr, é sua? Não. O pranto que a amima, Cahiu lhe lá de cima Para cahir na terra, Para cahir no chão! A perola que encerra A flôr, é sua? Não!

Tu já mataste a sêde, Mata me a sêde a mim! Se em nuvem piedosa Te refrescaste, rosa! Tambem em ti eu hei de Refrigerar me!... sim! Tu já mataste a sêde, Mata me a sêde a mim!

É para que me orvalhes Que te orvalhou o céo! O liquido que veio Aljofarar te o seio Bem é tambem que o espalhes No chão... o chão sou eu! É para que me orvalhes, Que te orvalhou o céo!

II

LAMENTO

Senhor! Senhor! que um ai nunca me ouviste Na minha dôr! Ai vida, vida minha, como és triste!... Senhor! Senhor!

Quando eu nasci, o sol cobriu o rosto Mal que eu o vi! Tingiu se o céo de sangue, e era sol posto, Quando eu nasci!

Pela manhã, a rosa era mais alva Que a alva lã! E o cravo desmaiou á estrella d'alva, Pela manhã!

Ao longe, o mar se ouviu, leão piedoso, Um ai soltar! Pelas praias, se ouviu gemer ancioso, Ao longe, o mar!

Oh roixinol! a ti, nasce te o dia Ao pôr do sol! Mostre me a campa a luz que te alumia, Oh roixinol!

III

ENLEVO

Não brilha o sol, Nem póde a lua Brilhar na sua Presença d'ella!... Continue reading book >>




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