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  By: (1867-1900)

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Je déclare que M. Francisco de França Amado, libraire éditeur, 141, rua da Calçada, Coimbra: est mon unique représentant et dépositaire de o «Só», pour le Portugal.

L.V.

ANTONIO NOBRE

PARIS

LÉON VANIER, ÉDITEUR

19, QUAI SAINT MICHEL, 19

1892

Tous Droits Réservés

MEMORIA Á MINHA MÃE AO MEU PAE

Aquelle que partiu no brigue Boa Nova , E na barca Oliveira , annos depois, voltou; Aquelle santo (que velhinho e jà corcova) Uma vez, uma vez, linda menina amou: Tempos depois, por uma certa lua nova, Nasci eu... O velhinho ainda cà ficou, Mas ella disse: «Vou, alli adiante, à Cova , Antonio, e volto jà...» E ainda não voltou! Antonio é vosso. Tomae là a vossa obra! «Só» é o poeta nato, o lua , o santo, a cobra! Trouxe o d'um ventre: não fiz mais do que escrever... Lede o e vereis surgir do poente as idas magoas, Como quem ve o sol sumir se, pelas agoas, E sobe aos alcantis para o tornar a ver!

Antonio

Que noite de inverno! Que frio, que frio! Gelou meu carvão: Mas boto o á lareira, tal qual pelo estio, Faz sol de verão!

Nasci, n'um Reino d'Oiro e flores Á beira mar.

Ó velha Carlota, tivesse te ao lado, Contavas me historias: Assim... desenterro, do val do passado, As minhas Memorias.

Sou neto de Navegadores, Heroes, Lobos d'agoa, Senhores Da India, d'Aquém e d'Além mar!

Moreno coveiro, tocando viola, A rir e a cantar! Empresta, bom homem, a tua sachola, Eu quero cavar:

E o vento mia! e o vento mia! Que irà no mar!

Erguei vos, defuntas! da tumba que alveja Qual Lua, a distancia! Vizões enterradas no adro da Igreja, Branquinha, da Infancia...

Que noite! ó minha Irmã Maria, Accende um cyrio à Virgem Pia, Pelos que andam no alto mar...

Lá vem a Carlota que embala uma aurora Nos braços, e diz: «Meu lindo menino, que Nossa Senhora O faça feliz!»

Ao mundo vim, em terça feira, Um sino ouvia se dobrar!

E Antonio crescendo, sãosinho e perfeito, Feliz que vivia! (E a Dor, que morava com elle no peito, Com elle crescia...)

Vim a subir pela ladeira E, n'uma certa terça feira, Estive jà p'ra me matar...

Mas foi a uma festa, vestido de anjinho, Que fado cruel! E a Antonio calhou lhe levar, coitadinho! A Esponja do Fel ...

Ides gelar, agoas dos montes! Ides gelar!

A Tia Delphina, velhinha tão pura, Dormia a meu lado E sempre rezava por minha ventura... E sou desgraçado!

Agoas do rio! agoas das fontes! Cantigas d'agoa pelos monles, Que sois como amas a cantar...

E eu ia ás novenas, em tardes de Maio, Pedir ao Senhor: E, ouvindo esses cantos, tremia em desmaio, Mudava de cor!

Passam na rua os estudantes A vadrulhar...

E a Mãe Madrinha, do tempo da guerra A mail os francezes, Quando ia ao confesso, á ermida da serra, Levava me, ás vezes.

Assim como elles era eu d'antes! Meus camaradas! estudantes! Deixae o Poeta trabalhar...

Santinho como ia, santinho voltava: Peccados? Nem um! E a instancias do padre dizia (e chorava): «Não tenho nenhum...»

Ó Job, coberto de gangrenas, Meu avatar!

As noites, rezava (e rezo ainda agora) Ao pé da lareira. (A chuva gemente caia lá fóra, Fervia a chaleira...)

Conservo as mesmas tuas penas, Mais tuas chagas e gangrenas, Que não me farto de coçar!

Que Deus se amercie das almas do Inferno! Amen! Oxalá... E o moço rosnava, tranzido de inverno: Que bom lá está!

E a neve cae, como farinha, Là d'esse moinho a moer, no Ar:

O sino da Igreja tocava, á tardinha: Que tristes seus dobres! Era a hora em que eu ia provar, á cozinha, O caldo dos pobres... Continue reading book >>




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