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A morte do athleta   By: (1848-1921)

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Gomes Leal

A MORTE DO ATHLETA

PORTO Typ. de A. J. da Silva Teixeira

1883

GOMES LEAL

A

MORTE DO ATHLETA

PORTO TYP. DE A. J. DA SILVA TEIXEIRA Rua da Cancella Velha, 62

1883

A

ADOLPHO COELHO

A MORTE DO ATHLETA

Ó heroes! ó hereos! athletas extrangeiros! viajantes que andaes á busca d'uma flor mysteriosa e ideal, energicos mineiros, sublimes corações que só sonhaes d'amor, vós talvez morrereis da morte dos guerreiros um dia, ao pôr do sol, como este gladiador.

Vós talvez morrereis longe da patria um dia, longe do amigo ceu que vistes á nascença, longe do parreiral, da arvore sombria, longe dos laranjaes sob que se ama e pensa, sob uma rocha nua, ou n'uma praia fria, longe do vosso deus, longe da vossa crença.

E então erguendo as mãos, como n'um sonho ardente, como um vencido, e olhando o Egoismo, a Ingratidão, sentido vos morrer, inevitavelmente, lembrando a vossa aldeia, a infancia, a multidão, talvez vos confesseis, amarguradamente, que não achastes nunca, oh! nunca, um coração!

Feliz inda comtudo o espirito poeta! que n'este desabar d'um mundo egoista e molle, tendo perdido o Amor, a pérola secreta, os astros dos seu ceu, e um peito que o console, poder inda expirar, assim como um athleta, aos pés do seu Ideal, voltado para o sol.

Era uma vez um rijo e energico athleta, forte como os heroes, frio como as espadas. Ninguem em Roma tinha a barba assim tão preta, musculos mais viris, pernas mais bem talhadas. Ninguem tinha esse olhar firme como a lanceta, extranho como a luz das pedras lapidadas.

As matronas fieis e as bellas virgens brancas sentiam perturbar as suas noites puras, recordando o seu talho, o busto, as fortes ancas, seu perfil excedendo as gregas esculpturas, e os seus braços viris, fortes como alavancas, bellos para apertar a linha das cinturas.

Ninguem amava o sol e as noites rutilantes, a herva, o mar, a luz, como este saltimbanco! Ninguem tinha tambem tunicas mais brilhantes, mais braceletes d'oiro e o olhar d'um firme franco! Os peitos virginaes batiam soluçantes ante o seu busto altivo e o seu pescoço branco.

Vestaes e cortezãos, virgem ou messalina, sentiam, como as mais, as rijas attracções da energia do sangue e a força masculina dos seus musculos d'aço e rigidos tendões, ao vêl o calmo, em pé, e trémula a narina, doirado, semi nú, calcando os histriões.

De certo as mais fieis matronas recatadas, filhas, irmãs do edil, consul, ou senador, sentiam perpassar, nas noites desmanchadas, o imperio do perfil do extranho gladiador. Mas ele tinha erguido, em rochas escarpadas, sagrado como um templo, o seu arisco amor!

Porém, por sua vez, o heroe da Roma esquiva, gloria dos histriões, dextro no césto e lança, que havia preso a loba, a Roma, essa lasciva dos bordeis de Suburra, e preso pela trança, amava uma mulher de marmore, uma altiva, amava sem remedio, amava sem esperança.

Era Livia o seu nome; e nunca as galerias austeras e immortaes manchou dos seus avós. Jamais o Amor lhe fez velar noites sombrias e, erguendo as mãos, chorar, sobre o seu leito, a sós. Pólos! ha corações mais gelados que vós. Estatuas! não sois só as bellas coisas frias.

Embalde erguia as mãos, magras de um sonho ardente, pelas noites febris, para o solemne ceu. Em vão elle exibia um facto resplendente, vencendo os histriões, heroes do povileu. Em vão, na via Appia, ia atravez da gente, seguindo a, como ao vento o pó d'um mausoleu.

Em vão ia passar as noites nas orgias dos bordeis de Suburra, ás luzes amarellas. Em vão ia, ao luar, á brisa das marezias, sobre as aguas do Tibre errar nas noites bellas. Em vão trepava, á noite, ás altas penedias, pallido, a fronte em febre, ao frio das estrellas.

Em vão fez que lhe désse o tragico Tiberio o bracelete d'oiro e o annel de cavalleiro. Em vão fugiu, correu todo o romano imperio, a Gallia, a Syria, o Egypto, e o Oriente inteiro, e na Judea viu ao Christo magro e serio, ao sol posto, expirar, em cima d'um madeiro... Continue reading book >>




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